Vivo semanas de cada vez. Duas vidas que me aguardam. Dois mundos distintos com todas as suas tramas próprias e peculiaridades particulares. São sempre mundos muito simples e comuns a distância, mas quando eu me aproximo...
Duas vidas que eu vivo, tão bonitas, tão cruéis. É como viver flashes intermináveis; quando chega a hora uma vida pára e a outra recomeça, como um filme que mostra, nos intervalos, outro filme. Uma aventura e um drama. Uma aventura dramática que eu não entendi ainda.
São duas casas. São duas vidas. Duas geladeiras com comidas diferentes. Algo que acaba no domingo e recomeça só na sexta. Coisas que eu começo a pensar no domingo e acabo só na sexta. São manias diferentes. São camas e travesseiros que me confortam melhor ou pior. São roupas que eu deixo e retomo sempre. São carências, são excessos... São formas de viver.
São saudades... Sobretudo É saudade. Saudade de cá quando estou lá, e de lá quando estou cá. É desejo de inocência, é saudade de criança. É quando a gente começa a se sentir velho e pensar mais nas coisas que já fez.
Quando é que a gente cresce e abandona para sempre a inocência? Gostaria de ser mais uma vez criança. Não!... Não para fazer as coisas que eu não fiz ou recuperar qualquer tempo perdido, voltar assim seria muito fácil, sem sentido e muito sem graça!!! Só queria sentir mais uma vez o gosto de comer bala como criança... Sentir o ar entrando, fresquinho, nos pulmões ofegantes do pega-pega no recreio... Dançar quadrilha com aquele menino tão bonito que eu nunca mais vi... E outras tantas coisas que eu já fiz e não faço mais. Não que seja triste crescer, mas é tão doído separar a alma do passado. É tão confuso sentir...
E agora eu continuo vivendo trechos de cada vez, talvez sem viver nenhum. De tanto viver talvez eu nem viva, eu só passe pelos lugares para tomar uma cerveja e dizer um oi, nada mais. Quem sabe... Quem sabe? Eu não.
segunda-feira, 12 de maio de 2008
terça-feira, 29 de abril de 2008
Blues do Elevador - Zeca Baleiro
"Mas hoje eu só quero chorar
como um poeta do passado
e fumar o meu cigarro
na falta de absinto
Eu sinto tanto eu sinto muito
eu nada sinto...
Como dizia Madalena
replicando os fariseus:
quem dá aos pobres empresta
adeus."
como um poeta do passado
e fumar o meu cigarro
na falta de absinto
Eu sinto tanto eu sinto muito
eu nada sinto...
Como dizia Madalena
replicando os fariseus:
quem dá aos pobres empresta
adeus."
...
"Terei toda a aparência de quem falhou, e só eu saberei se foi a falha necessária."
(Desconhecido)
(Desconhecido)
quarta-feira, 23 de abril de 2008
Não é Nada
Então paz é isso...
É essa tranqüilidade, esse sossego. É quase uma tristeza sem dor. Um silêncio e ao mesmo tempo aquela música que eu tanto gosto. Na verdade é o mais agradável som. É uma felicidade contida, é ser feliz para si, não para fora. É não ter euforia nem sentir ansiedade. É estar bem e solitariamente completo.
É isso, é aquilo. Não é nada, é só paz.
É essa tranqüilidade, esse sossego. É quase uma tristeza sem dor. Um silêncio e ao mesmo tempo aquela música que eu tanto gosto. Na verdade é o mais agradável som. É uma felicidade contida, é ser feliz para si, não para fora. É não ter euforia nem sentir ansiedade. É estar bem e solitariamente completo.
É isso, é aquilo. Não é nada, é só paz.
terça-feira, 22 de abril de 2008
Saudades
Um dia sentirei saudades. Saudades das conversas jogadas, das confissões frustradas, dos medos, da insegurança compartilhada. Sim, com certeza sentirei saudades das caminhas acompanhadas, dos risos fáceis, dos dias bonitos e das horas curtas. Hoje eu vivo a nostalgia de saber que sentirei saudades do fiel ombro amigo que permaneceu mais do meu lado do que eu. Que dia é hoje? Que dia?? Qual é?!! Não sei... Só sei que sentirei saudades...
quarta-feira, 16 de abril de 2008
Para Falar de Amor
Tudo isso porque vivemos em função do amor. Crescemos de acordo com o amor de nossos pais... Estudamos por amor à profissão... Fazemos amizades pelo amor compartilhado... Namoramos porque há amor... Ora, somos jovens! Sem amor não namoramos! Um dia, quando elas tiverem os cabelos brancos cobrindo os olhos, enigmáticos na juventude, e eles, os antigos galanteadores da praça, não precisarem nada mais que pequenos pentes para arrumar os poucos cabelos que restaram, o amor se tornará uma amizade... Uma amizade íntima, mas apenas uma amizade, pois a dor dos anos corrompe a inocência dos jovens, aquela que os permite amar. Hoje, onde a idade apenas trás responsabilidades inconseqüentes, nós amamos com todas as nossas forças... Nós nos apaixonamos e assim nos sentimos vivos... E assim existe aquela equivocada razão da vida... É nessa época em que simplesmente acreditamos. Acreditamos e continuamos a viver (por enquanto) em função dele: o amor.
terça-feira, 15 de abril de 2008
...
Até a morte já é banal.
Até a morte já é moderna.
Morrer de falência múltipla de órgãos (ou seja, velhice) é coisa do passado.
A moda agora é morrer de cancêr.
Até a morte já é moderna.
Morrer de falência múltipla de órgãos (ou seja, velhice) é coisa do passado.
A moda agora é morrer de cancêr.
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